sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A pior programação de rádio de Santa Cruz do Capibaribe: as futilidades nossas do dia a dia.


        Quando eu tinha 14 anos de idade (Foi ontem!) descobria a mágica do rádio. E passei a ouvir sistematicamente a rádio Club do Recife. Então de manhã tinha a "Super manhã" com Geraldo Freire, com sua maneira divertida e ao mesmo tempo informativa, com denuncias e mensagens para um dia-a-dia mais ameno. Sim, tinha também ás 11:00 horas da manhã a "Hora do fuá" com Edilson Torres. E tinha de tudo, com sátira com pai de Santo, horóscopo, e enfim, era uma época onde o rádio tinha a seriedade de informar e entreter ao mesmo tempo.

Mas aí, chegamos nos dias atuais. E me encontro aqui no distrito de São Domingos, ano de 2015 e quando procuro nas emissoras radiofônicas de Santa cruz do Capibaribe alguma coisa interessante fico um pouco frustrado. E olha que existe 5 emissoras de rádio na cidade: Rádio Valle do Capibaribe, Rádio Comunidade, Radio Pollo Fm, Rádio IGM, Rádio Santa Cruz FM, e próxima a Santa cruz conta também com a rádio São Domingos Fm.

Posso destacar algumas que são legais, como a programação de manhã policial com Maurício Sobrinho, de leno Silva de manhã na IGM, onde ele trás informação, alguns comentários em cima das notícias e música. Na São Domingos tem alguns comentários inteligentes de Amaral sobre a política local.

Mas em matéria de perder tempo, na minha visão, eu destacaria a programação feita pela Comunidade Fm e da Pollo FM de manhã , com assuntos da política local que é ruim de amargar. Não acrescenta e nem edifica (no meu entender) a vida da população. Os assuntos geralmente são os mais banais. A população anseia por uma emissora que seja a voz dessa população nas suas reais necessidades e não emissoras que preferem apenas comentar assuntos tolos e sem sentido prático no dia a dia do povo. Eu tenho ainda fé e esperanças de um dia isso  possa acontecer em nossa cidade.

Pois assuntos não faltarão como ruas esburacadas, falta segurança, descaso nas estradas que dão acesso para Santa cruz do Capibaribe. E certamente acrescentaram uma audiência muito maior. E consequentemente teria mais patrocínios, pois os anunciantes tinha a certeza que mais gente estariam ouvindo e o rádio cumpriria o seu papel de informar cobrar e entreter a população com seriedade e respeito ao público.

O problema é que a mídia local deva receber algum benefícios dos políticos. Eu sinceramente não consigo ver outra explicação. Cada comentarista tem a simpatia por alguém que está no poder. E a prefeitura beneficia financeiramente os diretores de algumas emissoras. Então, deve ser por este motivo que eles se calam sobre determinados assuntos e com essa mentalidade (pois talvez seja cômodo pra eles) perde  os donos da emissora, perde a população e a oportunidade de cobrar mudanças cada dia mais significativas de melhorias para o povo e consequentemente ter uma cidade mais limpa, mais linda e boa para se viver. 

Por que o Brasil continuará sendo um país corrupto

Porque já as eleições dos “nossos” representantes são realizadas de modo a institucionalizar o crime, pois os grupos econômicos, ao patrocinarem a eleição de Presidente, Governadores, Prefeitos etc., assim o fazem, como é natural, sob a condição de obterem financiamentos graciosos, participarem de licitações premiadas, privatizarem o espaço público, multiplicando lucros;
Porque num tal contexto, a política passa a constituir extraordinário atrativo para criminosos profissionais, em geral burocratas medíocres, desqualificados moral e tecnicamente, sem perspectiva fora da política;
Porque certos partidos políticos passam a funcionar, assim, como autênticas quadrilhas, cujos membros seguem a lógica do quem dá mais, por isso que trocam de legenda constantemente, impunemente;
Porque o sistema representativo é um engodo que conta com a participação do próprio eleitor, que não raro exige, em troca do voto, algum proveito, de modo que o voto constitui, por isso, apenas um expediente para legitimar e perpetuar o crime, afinal os eleitos não representam o eleitorado, mas os seus próprios interesses e os interesses dos grupos econômicos que os patrocinam;
Porque, apesar das fraudes, insistimos em perpetuar determinados criminosos no poder, e a tudo assistimos passivamente;
Porque a Polícia, que deveria, junto ao Ministério Público, formar instituição única, está subordinada ao Poder Executivo, de sorte que são prováveis investigados (Governadores, Prefeitos etc.) que em última análise comandam as investigações;
Porque criminosos políticos estão protegidos por um sem número de privilégios (foro privilegiado, imunidades parlamentares etc.) que os tornam grandemente imunes às investigações;
Porque a corrupção política traduz a nossa própria hipocrisia, a nossa indiferença, a nossa tendência ao jeitinho; afinal, corrupção é de algum modo interação/acordo entre corruptor e corrompido, entre eleitor e eleito;
Porque somos obrigados a votar, quando votar é um direito e não um dever, pois o eleitor tem, há de ter, a liberdade de votar em quem quiser, quando e se quiser, consciente e livremente;
Porque a democracia, essa desgastada metáfora, é uma palavra que remete a múltiplas relações de poder que nada têm de democráticas, relações freqüentemente de violência e tirania e permanentemente em mutação (Michel Foucault);
Porque punir criminosos, embora necessário, não é o mais importante; o mais importante consiste em identificar as estruturas de poder que possibilitam o crime e mudá-las radicalmente, pois problemas estruturais demandam intervenções também estruturais e não apenas intervenções sobre indivíduos;
Porque insistimos em preservar instituições absolutamente desnecessárias: Senado Federal, Câmara Distrital etc;
Porque, em vez de enfrentar os problemas em suas causas, em suas raízes, tentamos combatê-las em suas conseqüências, tardia, burocrática e simbolicamente; e isso equivale a não combatê-las;
Porque temos um Estado excessivamente burocrático, que tudo pretende resolver por meio de leis, demagogicamente;
Porque multiplicar leis não significa evitar novos crimes, mas multiplicar novas violações à lei (Beccaria); e as leis desnecessárias enfraquecem as leis necessárias (Montesquieu);
Porque mais leis, mais juízes/tribunais, mais conselhos, mais prisões etc, pode significar mais presos, mas não necessariamente menos delitos (Jeffery);
Porque o povo brasileiro acredita ser livre, mas está enganado: é livre apenas durante as eleições dos membros do Executivo e do Parlamento, pois, eleitos os seus membros, ele volta à escravidão, é um nada (Rousseau); é que a participação popular se limita ao sufrágio a cada quatro anos; mas eleitos “seus” representantes, não se tem qualquer controle sobre seus atos, e o cidadão, convertido em objeto e não sujeito da política, só poderá expressar sua indignação nas eleições seguintes;
O Brasil é e continuará sendo um país corrupto simplesmente porque está estruturado para sê-lo! 
(Paulo Queiroz é Professor Universitário (Uni CEUB) e Procurador Regional da República em Brasília)